11.9.11

'Drawing a Love' - Parte III


Marta não conseguia parar de sorrir, de pensar em Ivo. Tinha que partilhar aquela felicidade com alguém. Pegou no telemóvel e ligou à sua amiga Ema. Contou-lhe tudo, desde o início. Parecia eléctrica. Estava com tanta energia, tanta felicidade. Nunca se tinha sentido assim, Queria que aquele sentimento nunca acabasse. Ficou uma hora ao telemóvel. E por ela não tinha desligado. Mas tinha que ir jantar. Depois foi outra vez para o seu quarto. Precisava de desenhar aquilo que sentia. Começou, aos poucos, a desenhar a cara de Ivo. Mas estava cansada e decidiu ir dormir.
No dia seguinte, acordou com o toque do seu telemóvel. Era uma mensagem de Ivo. Dizia: ‘Tenho tantas saudades tuas, sonhei a noite toda contigo :$’. Marta ficou radiante e respondeu: ‘Eu tenho ainda mais, sonhei que tinha um namorado lindo. Acordei… e tenho um perfeito, maravilhoso, fantástico, espectacular… :$’. Durante toda a manhã continuaram a mandar mensagens um ao outro. Sempre que Marta lia as mensagens dele sorria para o telemóvel.
Marta estava atrasada para o encontro. Chegou ao jardim e Ivo já estava sentado no banco em frente ao lago. Ele estava com uma cara triste, cabisbaixo. Ela sentou-se ao lado dele e perguntou-lhe o que se passava. Não respondeu. Marta agarrou a sua mão e virou a cara dele para si. Olhou-o nos olhos e perguntou novamente o que se tinha passado.
Ivo: São os meus pais. Não param de discutir. Já perdi o meu irmão, não quero perder os meus pais também.
Marta: Ei, olha para mim. Os pais discutem, é normal. Estão juntos todos os dias, há tantos anos. É normal às vezes ficarem cansados e discutirem. É uma fase. Vai passar, vais ver.
Ivo: Mas não aguento ouvi-los a discutir. Parece sempre que tudo vai acabar.
Marta: Eu percebo-te. Também sinto isso quando os meus pais discutem. Mas tens que ser forte.
Ivo: É difícil, muito difícil. – Marta pegou-lhe na outra mão.
Marta: Eu sei. Tens que tentar. Eu não aguento ver-te assim. Se pudesse trocava de lugar contigo, acredita. Nem pensava duas vezes.
Ivo: Obrigado. Fogo, encontrar-te foi a melhor coisa que me podia acontecer.
Marta: Não, tu é que foste o melhor que me podia acontecer. Nunca senti isto por ninguém.
Beijaram-se. Conversaram mais um pouco e foram passear pela cidade, de mãos dadas. Ao fim da tarde, combinaram um encontro no dia seguinte e Marta foi para casa. Foi assim durante dias, semanas… Até que passado exactamente um mês desde que começaram a namorar, acabou tudo.
Ivo: Desculpa, mas não posso continuar com isto. Se continuarmos vou-te magoar e isso é o que menos quero.
Marta: Mas porquê? Já não me amas, é isso? – As lágrimas escorriam-lhe pelo rosto. Ivo baixou a cabeça e não respondeu. – Se é isso tem a coragem de dizer, mereço isso pelo menos!
Ivo ainda com a cabeça baixada murmurou: Sim, é isso…
Marta limpou as lágrimas, despediu-se com um simples ‘adeus’ e foi-se embora. Ivo continuou sentado, com a cara escondida entre as mãos, chorava. Ela olhou para trás e viu-o a dar um murro no banco, cheio de raiva, talvez dele próprio. Quando chegou a casa, enfiou-se no quarto e chorou. Chorou até adormecer de exaustão.

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