17.9.11

'Drawing a Love' - Parte IV



Passaram poucos dias depois daquele dia. Aquele dia horrível em que tudo acabou, em que o impensável aconteceu. Marta continuava triste. Sempre que podia ficava no seu quarto com o bloco de notas à frente e o lápis na mão, à espera de inspiração. Sempre que começava a desenhar algo, nada saía bem. Rasgava a folha, amachucava-a e deitava-a fora. Olhou para o telemóvel e pensou em falar com ele. Mas não podia. Não podia porque, na sua cabeça, sabia que tinha acabado, apesar de no seu coração ainda o amar com todas as suas forças. De repente, o telemóvel tocou. Pensou que seria a sua amiga Ema. Desbloqueou o telemóvel e viu ‘1 Mensagem Nova de Ivo’. O seu coração parecia que queria saltar para fora do seu peito. Abriu a mensagem e leu: “Preciso de falar contigo. Podemo-nos encontrar?”. Marta ficou curiosa e marcou o encontro.
Ao fim da tarde encontraram-se no café perto de casa de Marta. Ele estava diferente. Parecia doente, tinha umas olheiras enormes e estava mais magro.
Marta: Olá. O que é que precisas de falar comigo?
Ivo: Eu preciso de explicar o que se passou.
Marta: Acho que percebi o que se passou quando tu acabaste comigo. Já não sentes nada por mim, não fazia sentido continuarmos juntos…
Ivo: Não é nada disso. Eu continuo a amar-te, mais ainda do que antes.
Marta: Então? O que se passou?
Ivo: O que se passou foi que os meus pais se divorciaram.
Marta: Lamento muito… Mas o que é que isso tem a ver com o nosso namoro?
Ivo: Calma, deixa-me acabar. Depois de eles me terem dito que se iam separar, eu… eu… eu comecei a fumar erva. E não quis ser uma má influência para ti. Só fiz o que fiz para não te prejudicar.
Marta: És mesmo estúpido! Se me tivesses contado isso eu ajudava-te. Achas que te ia deixar assim sozinho?
Ivo: Eu sei que não, mas eu esquecia-me de tudo quando fumava. E tu, por muito que me ajudasses, nunca me ias fazer esquecer o que se estava a passar… Desculpa, a sério. Nunca te quis magoar, muito pelo contrário.
Marta: Mas magoaste… e muito… Então e porque é que te decidiste a contar-me isso agora?
Ivo: Porque percebi que tinha cometido o maior erro da minha vida. Tu podias não me fazer esquecer daquilo mas fazias-me muito, mas mesmo muito mais feliz. E eu prefiro ser feliz contigo e saber que a minha família se está a desmoronar a estar sozinho, infeliz, e não saber a realidade por muito má que ela seja. Por favor, perdoas-me?
Marta: Quebraste a confiança que eu tinha em ti. Como é que eu sei que não vais voltar a fazer o mesmo? Preciso de pensar. Adeus Ivo.
Marta virou as costas e aos poucos ficou com os olhos cheios de lágrimas. Limpou os olhos à manga da camisola e seguiu para casa. Ivo nem respondeu. Ficou na esplanada, sentado com as mãos a apoiarem a cabeça.
Passados dois dias, Marta continuava sem saber o que fazer. Pela sua mente passavam os momentos que haviam tido juntos. Mas ela não podia aceitá-lo de volta depois do que ele fez sem ele dar uma prova de que estava arrependido. Exactamente enquanto pensava nisto ouviu o telemóvel. Era ele. Dizia: “Estou arrependido, perdoa-me, amo-te. I'm sorry, forgive me, I love you. Mi dispiace, perdonami, ti amo. Lo siento, perdóname, te amo. Je suis désolé, pardonne-moi, Je t'aime. Podia dizer em mais línguas, mas o que eu sinto basta dizer numa língua, porque o que eu sinto nunca vai mudar. Nem que eu para a China. EU AMO-TE E NUNCA MAIS TE VOU FAZER SOFRER, JURO <3333“. Marta respondeu-lhe imediatamente: “Espero bem que estejas a dizer a verdade desta vez, porque eu não aguento se tiver que passar outra vez por isto“. Começou a ouvir uma música. Vinha da rua, parecia alguém a cantar. Muito mal, por sinal. Foi à janela e era Ivo. Estava com uma guitarra a cantar a sua música favorita. Marta achou aquilo um pouco piroso, mas ao mesmo tempo, espectacular. Desceu as escadas a correr, abriu a porta e foi ter com ele. Abraçou-o e beijou-o. Depois disse-lhe ao ouvido: ‘estava a ver que nunca mais dizias nada… estava à espera de algo assim há dois dias”.

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