Sempre ouvi dizer que “a beleza está nos olhos de quem vê”. E
cada vez mais acredito nisso. Talvez porque cada vez mais se vêem pessoas a
odiarem o seu corpo e a apontarem defeitos que não existem. E, sinceramente, isso
irrita-me. Irrita-me não só porque não têm motivos para odiarem o seu corpo mas
também, e principalmente, porque não se valorizam. O que interessa se não têm o
corpo perfeito que se vê nas revistas? O que interessa se não têm um rosto
perfeito? O que interessa se não são perfeitos? Não quer dizer que valham menos
que essas pessoas das revistas, muito pelo contrário. E depois, o que fazem?
Cortam-se, magoam-se para se sentirem melhor. Arrepiam-me aquelas imagens de
cortes, não pela violência das imagens, mas porque não consigo compreender como
são capazes de se magoarem assim para se sentirem melhor. Simplesmente não
compreendo como passa pela cabeça de alguém fazer o primeiro corte. E é aí que
eu atribuo a culpa a quem partilha essas imagens. Sei que pretendem alertar
para essa situação, mas tenho a certeza de que quem se sente frágil, ao ver
essas imagens, não vai pensar na estupidez que isso é. Vão sentir curiosidade,
querer saber o que se sente e, então, pegam numa lâmina, numa tesoura, numa
faca, seja no que for. E a partir daí os outros cortes são apenas um vício,
nada mais.

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