9.8.11

O melhor e o pior dia

   
   Há pouco vi um daqueles desafios num blogue que consistia em fazer uma publicação todos os dias com um tema diferente. Alguns desses temas chamaram a minha atenção, dois em particular: “o pior dia da tua vida” e “o melhor dia da tua vida”. É claro, lembrei-me logo dos dias em que me senti mais triste e daqueles em que fui mais feliz. Mas depois pensei melhor e percebi que o pior dia da minha vida e o melhor dia da minha vida foram, basicamente, o mesmo. Sim, o mesmo. Pode parecer contraditório, mas quando eu explicar acho que vai ficar claro.
    Quando eu andava no 5º ou 6º ano descobri que tinha uma escoliose, que é uma curvatura na coluna, possivelmente desde que nasci. Depois de muitas consultas e muitas radiografias concluiu-se que eu precisava de fazer uma operação. Na altura não fiquei muito preocupada, mas quando chegou o dia não podia estar mais assustada. Eu sei que há cirurgias muito mais graves e doenças mais graves, mas na altura não pensei sequer nisso. Voltando à história, quando chegou o dia da cirurgia acordaram-me cedo e lá fui eu para o bloco operatório. Quando acordei só me lembro de ter imensas dores nas costas e de chamar pela minha mãe. Passados dois dias tinham que me tirar os drenos, os tubinhos por onde tiravam o sangue que ficara por lá a vaguear. O primeiro saiu com um puxão apenas. Senti uma dor como se me estivessem a apertar tudo por dentro. O segundo estava preso e não saiu tão facilmente como o outro. O médico, com toda a sua gentileza disse-me “vou tentar puxá-lo com mais força, mas não digas à tua mãe que vou fazer isto”. Ele puxou, e rebentou o dreno. E devo dizer que foi bastante doloroso. Lá fui eu outra vez para o bloco operatório para retirar o resto do dreno.
    Bem, esta é a minha história. Então, voltando ao assunto do desafio, o dia da minha operação foi o pior e o melhor. Foi o pior porque senti imensas dores, tanto nesse dia como nos dias seguintes, e foi o melhor, porque me fez ver que consigo aguentar melhor a dor do que pensava. Assim, sempre que penso que não vou conseguir fazer algo ou que não aguento a dor (física ou não) basta lembrar-me deste dia e daquilo por que passei. Pode não parecer muito importante, mas para mim é. Percebi que apesar de aparentar ser uma pessoa frágil, sou forte.

    Ah, e a linda cicatriz que tenho nas minhas costas… muitos podiam envergonhar-se de ter assim uma e até a tentariam tapar, mas eu não me envergonho nem um bocadinho de a ter :D

6.8.11

Green Day ♥

"...When it's time to live and let die
And you can't get another try
Something inside this heart has died
You're in ruins..."

5.8.11


"É incrível como uma pessoa pode partir-nos o coração e mesmo assim a continuamos a amar com todos os pequenos pedaços."

4.8.11

Loucos e Santos

     "Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."
                                                                                        Oscar Wilde