Há pouco vi um daqueles desafios num blogue que consistia em fazer uma publicação todos os dias com um tema diferente. Alguns desses temas chamaram a minha atenção, dois em particular: “o pior dia da tua vida” e “o melhor dia da tua vida”. É claro, lembrei-me logo dos dias em que me senti mais triste e daqueles em que fui mais feliz. Mas depois pensei melhor e percebi que o pior dia da minha vida e o melhor dia da minha vida foram, basicamente, o mesmo. Sim, o mesmo. Pode parecer contraditório, mas quando eu explicar acho que vai ficar claro.
Quando eu andava no 5º ou 6º ano descobri que tinha uma escoliose, que é uma curvatura na coluna, possivelmente desde que nasci. Depois de muitas consultas e muitas radiografias concluiu-se que eu precisava de fazer uma operação. Na altura não fiquei muito preocupada, mas quando chegou o dia não podia estar mais assustada. Eu sei que há cirurgias muito mais graves e doenças mais graves, mas na altura não pensei sequer nisso. Voltando à história, quando chegou o dia da cirurgia acordaram-me cedo e lá fui eu para o bloco operatório. Quando acordei só me lembro de ter imensas dores nas costas e de chamar pela minha mãe. Passados dois dias tinham que me tirar os drenos, os tubinhos por onde tiravam o sangue que ficara por lá a vaguear. O primeiro saiu com um puxão apenas. Senti uma dor como se me estivessem a apertar tudo por dentro. O segundo estava preso e não saiu tão facilmente como o outro. O médico, com toda a sua gentileza disse-me “vou tentar puxá-lo com mais força, mas não digas à tua mãe que vou fazer isto”. Ele puxou, e rebentou o dreno. E devo dizer que foi bastante doloroso. Lá fui eu outra vez para o bloco operatório para retirar o resto do dreno.
Bem, esta é a minha história. Então, voltando ao assunto do desafio, o dia da minha operação foi o pior e o melhor. Foi o pior porque senti imensas dores, tanto nesse dia como nos dias seguintes, e foi o melhor, porque me fez ver que consigo aguentar melhor a dor do que pensava. Assim, sempre que penso que não vou conseguir fazer algo ou que não aguento a dor (física ou não) basta lembrar-me deste dia e daquilo por que passei. Pode não parecer muito importante, mas para mim é. Percebi que apesar de aparentar ser uma pessoa frágil, sou forte.
Ah, e a linda cicatriz que tenho nas minhas costas… muitos podiam envergonhar-se de ter assim uma e até a tentariam tapar, mas eu não me envergonho nem um bocadinho de a ter :D



