Deitei-me na minha cama, pus os auscultadores nos ouvidos e aumentei o volume até não conseguir ouvir nenhum barulho de fundo. Fechei os olhos e, de repente, fui transportada para um lugar seguro, o meu refúgio, o meu mundo. Fui invadida por memórias, por recordações, pelo passado. Estava a ver a minha vida numa tela gigante criada pela minha mente. Todas as personagens do meu filme eram principais, essenciais. Vi-te. E nesse momento o meu filme mudou. O meu filme passou a ser sobre ti e não sobre mim. Relembrei tudo o que senti quando te conheci, quando falava contigo, quando te via. Não quis abrir os olhos, sabia que ias desaparecer e nunca mais te ia ver. Senti uma lágrima a escorrer na minha cara, a música acabou e abri os olhos. Desapareceste.
Ana Costa ; 27.07.2011



