Ela viu-o caminhar na sua direcção. Ficou nervosa apesar de ter a
certeza que não ia ao seu encontro. Virou as costas. Sentiu um toque no ombro.
Virou-se e o seu coração quase lhe saiu pelo peito. Era ele. Mas não podia ser.
Nunca lhe falou, nunca quis saber dela. Ele perguntou ‘Podemos falar?’. Ela nem
falou, apenas acenou com a cabeça que sim. Foram para longe da confusão e ele
ficou em silêncio.
Ela: ‘o que me querias dizer?’
Ele: ‘posso pedir-te uma coisa? Eu vou dizer o que queria dizer mas tu
não me podes interromper, ok?’
Ela estranhou mas acenou que sim.
Ele: ‘muito bem, aqui vai: eu sei que gostaste de mim durante este
tempo todo e que eu te fiz sofrer porque não sentia o mesmo. Quando soube que
gostavas de mim eu fui sincero, não gostava de ti da mesma maneira. Mas à
medida que te fui conhecendo melhor, fui percebendo que és uma rapariga espectacular
e considerei-te minha amiga, apesar de nunca to ter dito. Esse sentimento de
amizade foi crescendo. Tu deves ter reparado que eu falava mais contigo…
Assustei-me porque percebi que essa amizade estava a tornar-se noutra coisa.
Pensava que não podia apaixonar-me por ti, não estava certo. Afastei-me de ti
durante estes meses, mas esses meses só serviram para perceber que estava a ser
um parvo. Por isso estou aqui para te pedir desculpa pelo que te fiz passar e
para saber se podemos voltar a ser amigos. Sei que não te posso pedir mais que
isso. Não seria justo.’
Ela ficou perplexa a ouvir aquilo tudo e disse: ‘sonhei tantas vezes que
isto iria acontecer e nunca soube o que decidiria. Sinto que devo aceitar o teu
pedido de desculpas e voltar ao que éramos. Mas não consigo fazê-lo.
Magoaste-me demasiado. Não posso confiar em alguém que segue o caminho mais
fácil e não ouve o seu coração. Não posso, não agora. Desculpa.’
Ela virou costas e foi-se embora. Ele ficou a olhar para ela e chorou.
Ela chorou ainda mais…



