30.8.11

'Drawing a Love' - Parte I

- Decidi começar a escrever uma história. Não sei o que vai sair daqui, mas aqui está a Parte I ;) -


Estava um calor insuportável naquela tarde. Marta nunca foi uma grande fã do verão. Sempre gostou mais do frio gelado do inverno, de poder estar em casa e ver a chuva cair lá fora. Sentia-se segura nesses momentos. Mas naquele dia ela decidiu sair. Foi uma vontade estranha, ela não costumava sair assim, sozinha, sem rumo.
Estava num banco do jardim a desenhar no seu bloco de notas quando viu uma multidão ao longe disposta em círculo. Quis saber o que se passava e foi até lá. Ao abrir caminho por entre todas aquelas pessoas começou a ver o motivo daquela concentração. No centro do círculo de curiosos estava um rapaz desmaiado, muito pálido. Marta reviu ali a sua irmã, que desmaiava sem razões aparentes. Descobriu-se que sofria de uma doença grave. Não sobreviveu. Marta dirigiu-se ao rapaz sem pensar e ajudou-o. O rapaz acordou, Marta respirou de alívio e perguntou:
- Como te chamas? Estás bem?
O rapaz ainda meio atordoado respondeu:
- Eu… eu chamo-me… Ivo…
- Sentes-te bem, Ivo? É melhor ires ao hospital…
- Não, não é preciso. Eu já estou bem, agora.
- Hum, está bem. Mas se voltar a acontecer tens que ir.
- Sim, sim… Agora tenho que ir, obrigado por tudo.
- De nada… e tem cuidado…
Marta viu-o desaparecer ao longe. Sentia-se bem por ter sido útil, já que não pôde ajudar a sua irmã quando ela mais precisou. Não voltou a ver Ivo nos dias seguintes. Mas, num outro dia em que ela quis, inexplicavelmente, sair sem rumo, viu-o do outro lado da rua a passear o seu cão. Marta ficou a vê-lo, a prestar-lhe mais atenção do que da última vez. Ele era alto, muito alto, e moreno. Cabelo curto, escuro e olhos azuis. Tinha uma tatuagem no tornozelo, um terço e outro rabisco que não se percebia ao longe. Marta decidiu atravessar a rua e ir ter com ele…
Ivo: Ah, olá. Foste tu que me ajudaste no outro dia no jardim, não foste? Desculpa, nem te agradeci como deve ser. Nem sei o teu nome…
Marta: Marta, chamo-me Marta. E não tens nada que agradecer, só fiz o que qualquer um faria.
Ivo: Obrigado Marta. E claro que tenho que agradecer. Afinal, estava lá tanta gente e só tu me ajudaste, não é verdade?
Marta: Pois… lá isso é verdade… E não voltaste a desmaiar?
Ivo: Não, não te preocupes… acho que deve ter sido do calor. Então… e o que é que uma menina tão bonita estava a fazer sozinha no jardim? – disse, envergonhado. Marta corou e ficou sem resposta. – Não precisas ficar envergonhada, só disse a verdade…
Marta: Oh, obrigada, és um querido. Eu vim passear, estava a desenhar uns rabiscos no meu bloco de notas. – respondeu apontando para o caderninho.
Ivo: Hum, e o menino querido pode ver essas obras de arte?
Marta: Obras de arte?? Ahahah… são mais lixo do que outra coisa, mas podes ver. Não te rias da minha “arte”.
Marta passou-lhe o caderno a medo. Ivo abriu-o e ficou maravilhado. Eram desenhos lindos, belos.
Ivo: Estás a brincar, não é? São lindos! Tens que me fazer um destes desenhos, eu quero um só para mim!
Marta: Estás só a ser simpático. Não são nada de especial… Mas eu faço-te um, se quiseres…
Ivo: Olha, eu tenho que ir… tens aqui o meu número. Liga-me.
Marta: Ok…
Marta não teve tempo de dizer mais nada. Ele foi-se embora a correr, puxado pela trela do cão. Durante o resto do dia, Marta não pensou em mais nada a não ser no desenho que lhe iria oferecer. Tinha que ser perfeito.

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