2.1.14

Comecei a escrever, não sei bem porquê. Já não o faço há imenso tempo, talvez porque não tinha nenhum motivo para o fazer. Agora preciso de desabafar. Não sei bem o que escrever mas sinto que é o que preciso fazer. Talvez assim me sinta melhor. 
Estou cansada, de tudo. Das aulas, dos estudos, da rotina em que nada de novo acontece. Olho à minha volta e todas as pessoas parecem ter vidas interessantes, com imensas amizades, namorados ou namoradas, atividades que lhes preenchem os horários. Pois bem, eu tenho amizades que se contam pelos dedos, quase de uma mão, namorado nem vê-lo e atividades neste momento só estudar. Não me parece nada muito entusiasmante. Talvez o problema sejam as férias, não estou ocupada nas aulas. Mas mesmo quando tenho aulas sinto sempre um vazio quando chego a casa ao fim do dia. Sinto que falta algo na minha vida. Algo que nunca tive e começo a pensar que talvez nunca terei. Seria de pensar que então já estaria habituada a sentir-me assim. Mas não. De vez em quando esse vazio parece que aumenta, parece que esteve adormecido durante uns tempos e de repente acorda com toda a força. E nesses momentos só me apetece chorar, gritar e explodir com todos os sentimentos que tinha guardados. Tive um desses momentos. Mas percebi que não adiantava nada. Continuo com o mesmo vazio e nada o preenche. Então o que me resta? Ignorá-lo talvez. Ou então esperar que passe, que adormeça outra vez e que fique mais uns tempos sem o sentir tão intensamente. De qualquer das maneiras ele parece gritar mais alto e apoderar-se dos meus pensamentos. Só queria saber como o calar...

8.6.13



Antes de mais, eu compreendo que não queiras falar comigo. Afinal, nunca ninguém quis. Percebo que não tenho nada de especial para despertar o interesse de seja quem for. Sempre fui invisível para todos. Sempre me senti excluída e à parte do mundo. E talvez tenha sido por isso que me marcaste. Porque me viste quando já há muito tempo ninguém via. Fizeste-me sorrir com um simples "olá", o que, admito, é bastante ridículo. Fizeste-me ter um pouco de esperança quando ela já tinha desaparecido há algum tempo. Mas a verdade é que com esse "olá" eu sonhei e imaginei que afinal poderia haver uma hipótese de ser feliz, afinal não era invisível. Talvez tenha sonhado demais. E caí.

14.1.13




Apesar de saber que isto não te vai fazer pensar doutra maneira, espero ao menos que te faça sentir melhor. E quem sabe, pode ser que seja a primeira mudança nessa cabecinha.
Ora bem, não vou estar com aquelas coisas de “conheço-te há não sei quanto tempo…” porque tu sabes isso tudo. Vou-me limitar a dizer aquilo que não sabes ou que simplesmente pareces ter esquecido.
Estes últimos tempos têm sido difíceis para ti, eu sei. E acredita que para mim também têm sido. Magoa-me saber que te sentes mal contigo própria e acima de tudo preocupa-me. E por isso mesmo vou fazer de tudo para te ver sorrir e fazer com que a tua vida tenha mais cor. Sei que não vais acreditar em mim e vais pensar que estou a dizer isto porque sou tua amiga, mas acredita que não. É a mais pura das verdades: tu és a pessoa mais bonita que eu conheço. Sim, mais bonita, leste bem. Não só por fora, mas também por dentro. Estou a pensar em todas as minhas amigas/conhecidas e sim, és das mais bonitas. E não consigo compreender como tu não vês isso. Mas, beleza à parte, isso não é tudo. Porque mesmo que fosses feia, com monocelha, com verrugas, um nariz todo torto, olhos tortos e careca até! Eu continuava a gostar de ti tanto como gosto sendo tu assim, linda! E porquê? Porque és das pessoas mais importantes para mim, porque sempre que eu preciso de alguma coisa tu estás lá, porque não preciso dizer o que sinto, tu percebes logo. E acredita que existem muitas outras pessoas que pensam tal e qual como eu. Por isto, e por muito mais, te peço, te imploro, não que finjas que estás bem, mas que me prometas que vais valorizar-te um pouco mais a cada dia. Que vais olhar para o espelho e focar-te no que tens de bom, esquece o que tu não gostas em ti. Que vais pensar sempre pelo lado positivo, esquecer que algo correu mal. Que vais acreditar mais em ti, porque eu acredito e sei que és capaz de tudo se te empenhares. Que em cada manhã que acordares penses que o dia vai ser melhor que o dia anterior. Quero mesmo que me prometas que vais fazer isso, mas prometas a sério, com todo o teu coração! Se não fizeres isso por ti, faz por mim.
Dizes que não tens interesse por nada, que só queres dormir… Pois eu vou mudar isso! Só tens uma vida, não podes passa-la a dormir… Acredita que eu também já me senti assim. Mas não podes fazer isso! Não podes nem vais fazê-lo porque eu não vou deixar, acredita. Não penses que vou desistir de ti. Não vou desistir de uma das pessoas mais importantes na minha vida, NUNCA

11.1.13




Sempre ouvi dizer que “a beleza está nos olhos de quem vê”. E cada vez mais acredito nisso. Talvez porque cada vez mais se vêem pessoas a odiarem o seu corpo e a apontarem defeitos que não existem. E, sinceramente, isso irrita-me. Irrita-me não só porque não têm motivos para odiarem o seu corpo mas também, e principalmente, porque não se valorizam. O que interessa se não têm o corpo perfeito que se vê nas revistas? O que interessa se não têm um rosto perfeito? O que interessa se não são perfeitos? Não quer dizer que valham menos que essas pessoas das revistas, muito pelo contrário. E depois, o que fazem? Cortam-se, magoam-se para se sentirem melhor. Arrepiam-me aquelas imagens de cortes, não pela violência das imagens, mas porque não consigo compreender como são capazes de se magoarem assim para se sentirem melhor. Simplesmente não compreendo como passa pela cabeça de alguém fazer o primeiro corte. E é aí que eu atribuo a culpa a quem partilha essas imagens. Sei que pretendem alertar para essa situação, mas tenho a certeza de que quem se sente frágil, ao ver essas imagens, não vai pensar na estupidez que isso é. Vão sentir curiosidade, querer saber o que se sente e, então, pegam numa lâmina, numa tesoura, numa faca, seja no que for. E a partir daí os outros cortes são apenas um vício, nada mais.